quinta-feira, 28 de junho de 2018

Entrevista Elmo Notélio * Antonio Cabral Filho - RJ

*Entrevista Elmo Notélio*
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ENTREVISTA 

Hoje me dedico à literatura. Porém exerci outras funções tais como: motorista de coletivos e caminhões, árbitro e técnico de futebol, mecânico, fui diretor de teatro no Rio de Janeiro no bairro das Laranjeiras e prestei serviços pelo SENAC ministrando aula de língua Portuguesa e datilografia.
  2 Eu era ainda menino quando percebi que tinha o dom de escrever. Aos 11 anos fiz uma crônica sobre o Vietnã e a rádio de Téofilo Otoni divulgou no horário nobre às 18hs. O jornal local publicou e a  repercussão foi tão grande que meu pai precisou comprar todos os exemplares do jornal. Pois a justiça entendeu que o que eu dizia na crônica, feria os princípios políticos dos EUA. Neste trabalho eu mencionava o poderoso Presidente Lincon e do trágico Dien-Bien Ful. 
3 Publiquei 6 livros apenas no Brasil. Que são Mundo Podre, Sublime Sacrifício, Mundo Podre II a Encruzilhada, Preconceito, Bully e Pedofilia. E o sétimo que está no prelo, onde falo muito de Mitologia Grega.
4  A venda dos livros. Vale salientar que trabalho diretamente com as escolas de todos os níveis.
5  Adelaide Carraro, Jorge Amado e Fernando Pessoa.
6  Gostaria de dizer à juventude, que lesse mais. Pois é também através da leitura que crescemos como seres humanos, somos capazes de criticar e achar solução para os problemas. 
    Aos leitores, que continue nos apoiando. Eles são a causa de nossa existência.


    Aos escritores, que não se curvem diante das dificuldades, principalmente a falta de apoio por parte daqueles que se dizem líderes dos Estados e Municípios. O talento é para ser mostrado e não ficar escondido. Principalmente que se utilizem do fato empírico, pois segundo Jhon Look, filósofo inglês, a maior fonte de sabedoria do ser humano, é a experiência.
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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Entrevista A Oliveira Caruso * Antonio Cabral Filho - RJ

Entrevista Concedida a Oliveira Caruso

  1. De onde você é? Quando você começou a se aventurar na literatura? Sofreu influência direta de parentes mais velhos, amigos, professores? O que aprendeu na escola o instigou a criar textos?
  2. Resposta: Sou de Jampruca, ex distrito do município de Frei Inocêncio – MG, nascido em 13 de agosto de 1953. Aventurar na literatura mesmo foi na década de 70 em contato com a Poesia Margina Carioca – Cacaso, Chacal, Ana Cristina Cesar, Leila Miccolis – Revista Nuvem Cigana, O Trote etc. As influências são diversas, devido à ansiedade para entender esse mundo di...verso. A poesia em versos livres, as formas fixas, as escolas literárias, tudo isso me instigou muito e eu me joguei de cabeça nos estudos, tentando dar conta, como se isso fosse possível.
  1. Você já leu muitas obras e lê frequentemente? Que gêneros (poesia, contos, crônicas, romance) e autores prefere?
  2. Resposta: Eu leio de tudo, de tudo mesmo. Desde os épicos Ilíada, Odisseia, E o Vento Levou, passando pela aventura, policial, mistério, terror etc. Não passa nada.
  1. Costuma fazer um glossário com as palavras que encontra por aí (em livros, na internet, na televisão etc.) e ir ao dicionário pesquisá-las?
  2. Resposta: Quando acontece o surgimento de uma palavra nova, vou direto pesquisá-la.
  1. Há escritores de hoje na internet (não consagrados pelo povo) que admira? Em sites, Academias de que de repente você participa etc.
  2. Resposta: Muitos, muitos mesmo. O fator internet ajudou demais no aparecimento dos novos escritores; mas quem será GRANDE, só o tempo dirá. Basta que acreditemos e que tenham chances de se apresentarem.
  1. Você costuma participar de antologias? Acha-as algo interessante? Participaria de uma se eu a lançasse?
  2. Resposta: Há uma banalização da palavra ANTOLOGIA. Eu mesmo faço usso disso. Chamo de antologia qualquer pacote de poesia em qualquer forma poética: haicais, trovas, versos livres etc. Isso é ruim, mas apenas momentaneamente. A peneira do tempo resolverá...
  1. Você é membro de Academias de Letras? Aceitaria indicações para ingressar em Academias de Letras como membro?
  2. Resposta: Não sou membro de academia nenhuma; pelo menos dessas academias formalistas, concebidas segundo o modelo da Maçonaria. (Veja que escrevi Maçonaria com letra Maiúscula, por respeito a ela). Não entendo por que misturar a literatura com o mundo de uma sociedade secreta, que tem objetivos desconhecidos, e isso pode ser observado inclusive na Academia Brasileira de Letras. Ninguém diz que Machado de Assis foi influenciado por esses pricípios, uma vez que o positivismo prevalece. A minha divergência é de fundo filosófico, pois acredito na produção cultural como espírito da sociedade e não como algo fruto do direcionamento ideológico, venha de onde vier.
  1. Tem ideia de quantos textos literários já escreveu? Há quanto tempo escreve ininterruptamente?
  2. Resposta: escrevo, conscientemente, há quarenta anos. A quantidade de textos escritos não dá para contar. São pastas de haicais, de trovas, de contos, de crônicas... E não pára.
  1. Você tem dificuldade de escrever em prosa, em verso? 
  2. Resposta: Há fatores que interferem na cabeça do escritor na hora de iniciar um texto, mas eu não chamo de dificuldade. Depende do modo como ele se relaciona com o tema, do jeito como um chega ao outro, como num namoro, que às vezes prospera e às vezes não.
  1. Você possui algum lugar onde publica textos virtualmente? Qual? 
  2. Resposta: Publico normalmente nos meus blogs. E devido à diversidade das formas, fui obrigado a criar blogs de contos, de crônicas, de haicais, de trovas, de versos livres, de sonetos, de aldravias e um sem número de revistas virtuais, aonde compartilho aquilo que eu encontro de melhor, em todos os gêneros. O melhor meio de chegar a esses blogs é acessando o meu perfil literário: Mafuá Do Malungo Cabral.
  1. Que temas prefere escrever? Prefere ficção ou o que vivencia e vê no dia a dia?
  2. Resposta: Escrevo sobre qualquer coisa. E toda a minha produção é fruto da vivencialidade. Não planejo, não roteiriso, não ponho nada na cabeça de modo pré-concebido.
  1. Aprecia outros tipos de arte usualmente? Frequenta museus, teatros, apresentações musicais, salões de pintura? Está envolvido com outro tipo de arte (é pintor, músico, escultor?)
  2. resposta: Apreciar eu aprecio. Adoro artes plásticas, sou louco pelo expressionismo, mas não me pergunte nada no campo teórico. Música é difícil alguém não gostar, mesmo enquanto ouvinte, como é o meu caso. Só toquei na parada de 7 de setembro de 1967.
12. Que retorno você espera da literatura para si mesmo no Brasil? E a nível de mundo? Resposta: Não tenho ilusões com o retorno financeiro. Prefiro ver 15.000 acessos a um texto e saber que não vendo nenhum livro do que ficar forçando barra pra vender impresso. Enquanto ex livreiro, pude constatar a força das novas tecnologias na liberdade de escolha das pessoas. E faço votos de que isso progrida infinitamente. Não me importa se a criança está lendo em papel ou tablet. Importa é estar lendo.
  1. Você acha que o brasileiro médio costuma ler? Acha que ele gosta de literatura tradicional ou só de notícias rápidas e sem profundidade?
  2. Resposta: Aí existe um grande problema: Você conhece o Acordo MEC-USAID feito pela ditadura militar com o governo norteamericano em que o ensino brasileiro abandona o conceito de aprendizado contínuo, ligando o ensino básico ao médio e este ao superior sem cortes, onde a avaliação do estudante ocorre dentro das instituições em que ele viveu e não como agora. Antes, se estudava para SABER, sem foco no mercado, e hoje o brasileiro com poucos recursos não pode ir adiante nos estudos porque tudo virou resultado. Competente é quem teve nota alta, sem disponibilizar ao aluno as mesmas condições. Daí não temos como almejar um país leitor quando todos são jogados pra fora da escola, inclusive parcelas da classe média. Quanto ao que vai ler, do que ele gosta, vai depender do seu modo de absorção de prazer, do seu gosto, do seu tempo disponível.
  1. Você costuma registrar seus textos na FBN antes de publicá-los? Sabe da importância disso?
  2. Não. Não costumo registrar e sei da importância disso, mas acho muito pouco aconselhável alguém me plagiar ou se apropriar de um texto meu, até por questões ideológicas, pois a maioria não tem disposição para bancar a defesa dos oprimidos no texto literário. Por exemplo: quem quer plagiar Máximo Gorki, Bertolt Brecht, Maiacoviski, Vitor Hugo, Lima Barreto, Solano Trindade? Dou uma cocada a quem quiser fazer isso.
  1. Já tem livros-solo publicados? Consegue vendê-los com certa facilidade? 
  2. Resposta: Tenho quatro livros de poesias publicados, que foram relativamente bem vendidos em eventos produzidos por mim. Mas com a descoberta do e-book eu parei com o IMPRESSO. Estou com dois à venda no AGBOOK.
  1. Já conhecia o poeta-escritor Oliveira Caruso (desculpe-me... Esta pergunta é padrão para quem participa de meus concursos literários)?
  2. Resposta: Claro! Oliveira Caruso é uma marca de produção cultural que não pára de crescer. Enquanto ex livreiro, agitador cultural e poeta militante, fica impossível não encontrar um irmão.
  1. Você trabalha com literatura inclusive para aumentar sua renda ou a leva como um delicioso hobby?
  2. Resposta: Trabalho com literatura por necessidade vital, vendendo ou não. Ela é minha alma, é a superação do profissional que põe x$ na conta bancária todo dia. Sem ela eu não passaria de uma máquina registradora – uma vez que trabalho com contabilidade e agenciamento de anúncios.
  1. Você trabalha(ou) fora da literatura?
  2. Resposta: Enquanto tecnico em contabilidade, eu faço free lancers de balanços, no dia a dia edito classificados para agencias de publicidade de pequena intensidade, digito textos para editoras e produzo ebooks.

sábado, 9 de janeiro de 2016

Entrevista Com José Fabiano, Poeta e Trovador * Antonio Cabral Filho - RJ

Trovador/Poeta José Fabiano - MG
ENTREVISTA
A Antonio Cabral Filho - RJ
*
Abraços do Fabiano e Meirezinha


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PERGUNTAS


1 - Quais as suas atividades, além de escrever?
​Viver, na forma devida,
   ​o meu restinho de vida.​

2 - Como surgiu seu interesse literário?
​É defeito de nascença,
​   um pecado de quem pensa.​
  
​

3 - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do Brasil?
​Livro jamais escrevi.
​         Só livrinho é que pari.​
​

4 - O que lhe propicia condições para escrever?
​O direito conquistado
​   de ser bem aposentado.​
  
​

5 - Quais os escritores que Você admira?
​Quando crescer (quem não quer?),
   ​quero ser feito Voltaire.​
  
 
​

6 - Qual a mensagem que gostaria de enviar à juventude e aos escritores?
​Eu sou apenas mais "um"
​   que vai chegar a "nenhum".​
  
​

7 - Qual a sua opinião sobre Concursos Literários? 
​Conquistá-los, eu não nego,
acari​cia o nosso ego.
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quinta-feira, 2 de abril de 2015

Pergunta Sandra Veroneze...* Antonio Cabral Filho - Rj

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PERGUNTA SANDRA VERONEZE…
Caros,
Gostaria de saber quais são os sites ou blogs de literatura que vocês gostam, curtem…
Onde se informam sobre novos autores, novas obras, novos trabalhos!
Se puderem compartilhar, desde já fico grata…
Afinal, vontade de se atualizar e sempre aprender aqui é uma constante!
Grande abraço  
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ANTONIO CABRAL FILHO RESPONDE

Vixe! Essa pergunta é difícil de responder. Sobretudo para quem é poeta. Não creio que os prosadores sejam muito diferentes, mas os poetas sofrem de “informatite”, uma doença que ataca gente louca por novidade, da qual sou vítima terminal. 

Minhas fontes são muitas e díspares. Além da biblioteca, uso muitos sites, nos quais agora se inclui também o PRAGMATHA; mas o mais antigo é o JORNAL DE POESIA, editado pelo insigne Soares Feitosa; depois, o Selmo Vasconcelos; a seguir, a ESCRITA BLOG, do Wladyr Nader – SP. Não é só porque estou neles. Não. Aliás, estou neles porque busquei-os! Mas devido a essa secura por informação que percebo neles também, isso nos aproximou. Quem edita sabe que geralmente acontece um pouco de empatia entre editores e publicados, e, no meu caso, só me falta poder ir tomar um café com cada um dos meus companheiros, inclusive a Sandra Veroneze, aliás, chimarrão. 
Costumo brincar dizendo que as minhas NOVIDADES não estão nas livrarias top de linha, mas nos sebos e nos blogs da rapaziada. Não é ofensa nenhuma com as livrarias, mas é que a necessidade das vendas afasta o livro de poesia do primeiro balcão, escondendo-o nas prateleiras do assunto, e intoxicando as meninas com romances “picantes”, sem se disporem a ressaltar que ler poesia pode tornar a mente delas tão picante quanto lendo aqueles romances. Mas para sanar o problema dessas meninas, que podem estar entre os 15 e os 90…, eu convidaria a acessarem o meu blog CABARET ESPIRITUAL, só de poesia humorística, poemas piadas e brincadeiras. Que tal? Clique aqui…http://1acf13.blogspot.com.br/ 
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quarta-feira, 25 de março de 2015

quarta-feira, 18 de março de 2015

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

ANTONIO CABRAL FILHO É NOTÍCIA NA FOLHA DE SÃO PAULO * Antonio Cabral Filho - Rj

ANTOLOGIA DE POETAS BRASILEIROS CONTEMPORÂNEOS
ORG: Elenilson Nascimento - Edição: Pimenta Malagueta Editora
Bahia 2013
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Antonio Cabral Filho foi incluido nesta matéria da Folha de São Paulo, coluna ILUSTRADA, do jornalista Demervan Bastos, através do Editor Elenilson Nascimento.
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quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

REVISTA POETIZANDO ENTREVISTA ANTONIO CABRAL FILHO * Antonio Cabral Filho - Rj

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MOMENTO LITERO CULTUAL - SELMO VASCONCELLOS  - RO
ANTONIO CABRAL FILHO

"O poeta é um romântico revolucionário em tempo integral."
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Entrevista: A entrevista é um instrumento fantástico na divulgação das ideias, das pessoas, sobretudo personalidades que tenham um conteúdo especial a ser veiculado. Esta entrevista foi elaborada pelo Walmor Dario Santos Colmenero para  a REVISTA POETIZANDO, mas os contratempos falaram mais alto e ela não saiu. Na ocasião não vi nenhum problema e continuo não vendo, nem fazendo qualquer tipo de juízo. No entanto, ela foi fundamental para ajudar-me na elaboração de uma linha de abordagem de qualquer coisa que eu queira debater.  Não sei se agradeço o fato de ela não ter sido divulgada, mas de certa forma, ajudou-me a estruturar um conjunto de entrevistas que acabei realizando em 2013. Mas, ao final do ano de 2014, como sempre faço, dei uma passada pelo blog do Walmor e encontrei-a lá, publicadinha, para minha alegria. Deixo aqui os meus mais elevados agradecimentos e espero retribuir divulgando o trabalho dessa dupla maravilhosa: Walmor & Eunice.

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P: Quem é Antonio Cabral Filho?
R: Gosto deste modo de perguntar; porque é frontal e permite uma resposta extensa ou sucinta; mas prefiro esta: Sou Antonio Cabral Filho, que em vossa presença emigra; do pinto que não quer milho, João Cabral que lhe diga.



P: Como começou a escrever? Teve influências familiares?
R: Durante a catequese no meio rural em que vivi até aos quinze anos, é comum o uso das formas literárias e musicais populares; e foi aí, dentro da igreja que fiz contato com a poesia, fazendo quadras para cantar durante as aulas de catecismo, em sua maioria, dedicadas a Nossa Senhora. E, como não podia deixar de ser, minha maior instrutora foi minha mãe, que ainda canta "Ìndia, seus cabelos nos ombros caídos, negros como anoite que não tem mais fim..." como ninguém.



P: Por que poesia?
R: A poesia é meu forte, em função da objetividade com que ela serve para dar a resposta certa na hora certa ao interlocutor certo...



P: Como o poeta se coloca no mundo?
R: No meio da arena, com uma espada em cada mão...



P: Como é seu processo de criação? Existe inspiração?
R: Relâmpago, como agora; a resposta é medida pela pergunta. Inspiraçâo?  "Por Deus e por todas as coisas em que não creio, minha sombra fala, mas não no creio." (O Viandante e Sua Sombra - Nietzsche)


P: Atualmente, para quem os poetas escrevem?
R: Não somente os poetas, mas todo escritor escreve para si mesmo.


P: A arte é própria dos artistas ou todo mundo é artista?
R: Ferreira Gullar fala sobre isso o tempo todo e eu concordo: Todo mundo é artista. O que diferencia os "artistas" do seu conjunto (humanidade) é a sensibilidade com referencia a sua criação: Jamais existirão dois "Fernando Pessoa".


P: Despertar para a literatura é despertar para si mesmo?
R: Na medida em que seja despertar para o Mundo, sim.



P: A arte contribui para melhor compreensão do mundo?
R: Arte é integração da pessoa com o Mundo, e, na medida em que despertamos para nós mesmos, rompemos o processo alienante e nos tornamos sujeitos, frente a nós , portanto frente ao mundo.



P: Crê que a poesia, mesmo a não engajada, é um agente de

transformação pessoal? E social?
R: Até Marx já falou sobre isso: Um bom poema de amor é engajado na medida humana do Amor, uma vez que ELE resgata a pessoa na dimensão individual e a transporta para o coletivo ante a pessoa amada.


P: Acha importante o intercâmbio entre os escritores e seus leitores?
R: É a maior "oficina" do escritor; pois se recebe contribuições fantásticas, às vezes sem a menor pretensão.


P: Como vê os prêmios, concursos, eventos e afins? Contribuem
realmente para melhor literatura e formação de público?
R: Como palcos da produção, onde se realizam as suas concretudes, uma vez que "vender" uma ideia ou um produto depende desses dois componentes: A VIA de acesso e o DESTINATÁRIO.


P: A internet disseminou a literatura? Como vê os sites, blogs? Como
alteram a relação entre escritor/público?
R: A INTERNET assustou muita gente; a mim inclusive, que desmontei uma livraria e distribuidora em 1992, por trabalhar, basicamente, com livro didático, o mais "xerocado" e "baixado" do mundo; no entanto, para a literatura, ela representa um espaço ilimitado, pois permite acesso a mais pessoas e combate o preço final do livro impresso. Os blogs são "nossos fanzines" de outrora, tão guerreiros, buscando sempre mais adeptos/fãs/colecionadores...



P: Considera os saraus importantes para a socialização da poesia?
R: São fantásticos espaços de encontro entre escritores, leitores, boêmios, personagens etc


P: Como vê a literatura atual? Quais seus novos autores preferidos?
R: A literatura atual, brasileira, é sucesso de ponta a ponta do territótio nacional, dadas as suas necessárias proporções; hoje ficou mais difícil ser "best-seller" na metrópole, mas de certa forma, todos o são nas suas províncias...
Sobre os "Novos Autores", fica difícil destacar alguém, justamente devido ao grande número de gente publicando.

*
P: Deixe um pequeno currículo.
Antonio Cabral Filho publicou até agora ECCE HOMO, poesia, 1997; DUELO DE SOMBRAS, poesia, 1999; VER...SO CURTO&GROSSO, poemas piadas,2006; CD/DVD DEPOESIA, 2008, CINZA DOS OSSOS, poesia, 2009...

Coletâneas: POETAS DA CIDADE DE NITERÓI, poesia, 1992; ANTOLOGIA POÉTICA 2 -UFF/Eduff, poesia 1996; POETAS 10engaVETADOS, poesia, 1995; BRASIL LITERÁRIO 2007/2010; ANTOLOGIA 13 POSTAL CLUBE, poesia, 2011; FANTASIAS, coletânea de contos, crônicas e poesia, 2011, ALPAS21; POETAS EN/CENA 6 BELÔ POÉTICO 2012. Em programação: ANTOLOGIA DE POETAS BRASILEIROS CONTEMPORÂNEOS, pela Ed. Pimenta Malagueta/Elenilson Nascimento...

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Contato:



E-mail: letrastaquarenses@yahoo.com.br
Blog: letrastaquarenses.blogspot.com.br 

*
Pequena mostra da poesia de Antonio Cabral Filho

HAICAIS

Das copas floridas,
despencam só broches de ouro:
Ipês amarelos.
*
No cinzeiro cheio,
a prova do que serão...
Só quero aplaudir...
*
Canto da Uiara,
lá bem no ermo da floresta:
Quem ouve, não volta.
*
Na dança do fogo,
chamas devoram desejos:
Sagração do rogo.
*
Pleno meio dia,
nenhuma nuvem no céu:
Verão implacável.

TROVAS

Trem é coisa de mineiro,
mas é meio de partida;
leva o pai ao estrangeiro,
deixando a mãe desvalida.
*
Quem criou obras tão belas
como o luar das Gerais,
fez da mulher uma delas,
mas pra si tem algo mais...
*
Minas é demais da conta,
é terra das emoções;
pois só ela tem "Três Pontas"
e até "Três Corações"

*
Todos cantam sua terra,
também vou cantar a minha;
mas no meu verso se encerra:
- Minas Gerais é rainha!
*
POEMAS PIADAS

DESEMBUCHE

Oh meu caro Gabo,
tenha a santa paciência;
ninguém aguenta mais
"Cem Anos de Solidão!"
*
MACUNAIMAICAI

Sacrifício algum
vale prazer mais intenso
que matar o tempo.
*
MILITÂNCIA

Os meus sonhos de 68
acabaram em 69
nas areias de Ipanema
com uma loura bem suada.
*
SARRO

Poema feito nas coxas
é igual a mulher bonita:
Não precisa entender o enredo,
basta gostar do arranjo.
*
ELEGIA DE AUGUSTO DOS ANJOS

Fui ler Augusto dos Anjos,
mas assim logo de cara
fiquei que nem os arcanjos
caçando "Escarlete Ohara".

Pareceu-me um Frankenstein,
Drácula sem Baviera;
Por mais que vocês estranhem,
achei bem pior do que era.

Mas depois eu me dei conta,
tanta riqueza linguística
cuspida por gente tonta

sem apreço com estilística,
fora os burros sem cabrestos
aos coices pelos seus textos.
*
ESPELHO DE SOMBRAS

Por sobre os ombros
os olhos fitam o mundo
refletido no espelho
através da janela...
O corpo imerso no dia convulso
insensível aos suicídios
e ao calor das discussões
não figura, não é mais nem menos
na paisagem alheia.
O pintor no atelier
não o notaria pousado na folha
branca sobre a mesa.
O dia cheio de mecanismos
é tudo que cabe no espelho;
O resto, os olhos não podem ver...
**
*